Coleção Peanuts Completo 1950 – 1952

 De longe, um dos melhores presentes que já ganhei. Infelizmente ainda não comprei os outros da coleção porque, até mesmo na internet, são caros. Variam de 70 a 75 dinheiros. Falar de Peanust é simples e difícil ao mesmo tempo. Do desenho animado às tirinhas soltas, não há quem desgoste. Até mesmo os livrinhos de bolso, que são bem baratinhos e você os encontra em toda livraria, valem o encanto. Charlie Brown é de cabeceira. A insônia se transforma em leves risadinhas e sempre ocorre aquele ataque de “own, isso não poderia ser mais fofo” dentre algumas overdoses de amor. É isso, Peanuts é pra quem gosta de fofura mesmo. Geralmente, aqui e acolá, rola uma identificação com os personagens…certamente você conhece pelo menos alguém tão dramático e depressivo quanto Minduim, alguém tão preguiçoso quanto Paty Pimentinha…chata e romântica como Lucy, e por aí vai. Gosto muito do aspecto de não haver sexismos. Às vezes voce esquece que Marcie é uma menina, por exemplo. Há diferença de personalidades, que é justamente o que Charles Schulz parece se preocupar em distinguir, junto a isso o enquadramento de dramas infantis – perfeitamente aplicáveis em adultos.

O volume da coleção 1950 – 1952: É composto por tirinhas semanais e dominicais. Sempre com continuação, mas não necessariamente específica de um enredo. Neste volume ja há algumas críticas sociais, mas o forte mesmo são as relações interpessoais e comportamento. Por ser o primeiro, achei inusitado alguns aspectos. Por exemplo, você percebe a ausência de Linus no início, e surpresa, ele aparece como um bebê. Nem todos existiram desde o começo da criação da Turma do Charlie Brown e ver os personagens se desenvolverem, alguns crescerem e aprenderem, é uma delícia. Sem contar no traço. O charme de ser o mesmo Charlie Brown que ainda vemos, mas com um encanto e formas diferentes de desenho. Principalmente, gostaria de dizer que apreciei muito ler sobre a história de Schulz. Entender sua trajetória como artista inspira aqueles que desejam seguir o caminho de fazer aquilo que amam.

A coleção

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Livro: O Morro dos Ventos Uivantes (Wuthering Heights), de Emily Brontë.

Apesar de eu nunca ter encontrado em pesquisas (também não procurei muito) O Morro dos Ventos Uivantes, lançado em 1848, certamente faz parte da literatura realista. Não há como negar, tanto pela época quanto pelo estilo de escrita. Os conflitos psicológicos, romances depreciativos e o alto teor dramático na história, me fazer crer nisso. Eu o adoro, já li duas vezes. Mas admito que o fiz num intervalo longo de tempo, pois, o livro consome nossa agonia, dá aquela vontade de não parar de ler. Cria-se uma curiosidade de saber o que vai acontecer e aquilo vai indo… mas, cansa! Cansa porque ele exaure de você uma compreensão relacionada aos personagens, à narrativa. Pede um forte senso crítico e análises precisam ser feitas. A autora não se compromete, ela introduz personagens com pontos de vista diferentes sobre um único personagem, por exemplo. Longe de ser clichê, O Morro dos Ventos Uivantes possui vários começos, meios e finais felizes e infelizes. É uma montanha russa mesmo. Para quem gosta desse tipo de leitura (como eu) é maravilhoso. O egoísmo é a chave de segurança do único livro escrito por Emily Brontë. Muito bem escrito, por sinal.

Andei lendo sobre a análise Freudiana acerca da trama, mas não aconselharia a ver quaisquer assuntos relacionados ao livros antes de lê-lo. Perderia toda a graça.

O filme: Houveram algumas adaptações da história, mas eu só vi um filme e não por inteiro. Tenho quase certeza (faz muito tempo) que foi a adaptação com Ralph Fiennes e Juliette Binoch como protagonistas. Posso dizer que não é aconselhável, caso você queira entender a história contada por Emily Brontë. Lembro que o filme era bom, mas mudava algumas das trajetórias vividas pelos personagens principais. Além do que, é muito melhor ter Cathy e, principalmente, Heathcliff, personagens tão complexos fisicamente e moralmente, construídos pela interpretação da leitura. Vale ressaltar que as sinopses na internet contém spoilers.

Comparação: podemos comparar o Morro dos Ventos Uivantes com o romance realista de Eça de Queiroz, Os Maias. Ambos apresentam conflitos psicológicos e morais, a questão de manter as aparências e as influências dos padrões da época são aspectos fortes nos personagens. Ambos não possuem fim na mesma geração que o inicia, sendo assim uma continuação, sem perder o fio da meada. É admirável.

A edição: a primeira vez que li, foi numa edição muito antiga, com folhas amareladas, numa capa de couro normal, sem muito requinte, mas não sei dizer qual. Da segunda vez, o vi na sessão de livros de bolso que a própria livraria Saraiva tem feito. Foi baratíssimo. Inclusive recomendo os livros da Coleção Saraiva de bolso. Já comprei 3, olhaí!

Por Deborah Meira

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de Marjane Satrapi: as HQs autobiográficas “Persépolis” e “Bordados”.

Persépolis

Tudo começa pouco antes da Revolução Iraniana, marcando a vida de Marjane com muitas repressões devido ao regime do xá. Romances,  situações bizarramente engraçadas, atreladas ao temor relacionado a guerra e a morte. Essa uma diversidade de temas e discussões dentro do mesmo contexto, que é a vida de Marjane Satrapi, mais precisamente durante as décadas de 70 e 80, dá esse Q de originalidade aos quadrinhos. É uma linda e tragicômica história muito bem contada e representada. O traço é belíssimo e super diferente. Tudo preto/branco/vazio/preenchido – o que me lembrou muito as técnicas usadas em trabalhos com xilogravura.

HQ e Filme: As histórias foram publicadas separadamente entre os anos 2000-2003. Ainda se encontram a venda, e além das edições (Persépolis 1,2,3 e 4) existe a coletânea em um livro só. Muitos ouviram falar de Persépolis porque o filme ficou bem famoso e concorreu ao Oscar. Entretanto, aconselharia a ler primeiro e não olhar nem o trailer do filme. Não sendo assim, é provável que parte da graça e da surpresa que Persépolis oferece, se perca por aí. Parece clichê, mas a verdade é, nesse caso, a ordem dos fatores faz diferença sim (mesmo que a história seja muito bem representada no cinema – até os traços ilustrativos são os mesmos).
É que, pelo menos pra mim, a graça de ler uma HQ está na sua interpretação de movimentos, da voz, dentre outras coisas que o filme não permite que você o faça. Mas não há o que desmerecer, Persépolis é, de fato, um livro e filme de qualidades inquestionáveis.

Bordados

Bastante feminino. Um cara chato provavelmente se sentiria desconfortável lendo. Bordados não é uma continuação de Persépolis, mas se você não leu o primeiro, este provavelmente não vai ter muita graça. Bordados se passa numa conversa entre várias mulheres na vida de Marjane, durante a confecção de seus bordados. É curtinho, bem humorado e de uma criatividade sem tamanho. Não sei dizer se a conversa realmente aconteceu, mas ela é no mínimo, baseada naquelas personagens. Enfim, eu adorei.

Por Deborah Meira

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Livro: Cartas a um Jovem Poeta, de Rainer Maria Rilke.

Este me foi apresentado no ano de 2009 por uma colega da faculdade. O devorei quase que instantaneamente (até porque é curtinho). É um de meus livros preferidos. Daqueles que você dá de presente, indica e sempre comenta quando conversa sobre o assunto. Creio que a tradução tenha sido muito bem feita, pois não imagino como a essência de seus pensamentos podem ser melhor interpretadas.

Me senti muito sensibilizada, desde a primeira leitura, e as seguintes não foram diferentes. Engraçado é que nunca li mais nada do Rilke depois. E ao que tudo indica, ele é um bom escritor, mas tive uma reação contrária. Acho que tenho medo de não gostar de sua literatura, pois, Cartas a um Jovem Poeta não é um livro literário. É a junção de várias cartas escritas por Rilke, a um jovem aspirante a poeta, que se tornou um amigo. No livro, as cartas escritas pelo jovem, não estão inseridas, porém, só as cartas de Rilke já valem a leitura. Ele me lembra muito aquelas pessoas que sabem falar exatamente aquilo que todo mundo sente e pensa, mas ninguém diz. É aquele livro de cabeceira, onde você pode abrir em qualquer página e alimentar-se de boas palavras, bons conselhos.

Gostaria que este livro fizesse parte do acervo de paradidático nas escolas. Se ensina a compreender muito com poucas palavras, abordando principalmente o aspecto da relação conflituosa em que todos estamos inseridos: eu e o mundo.

Resumidamente é isso: Cartas a um Jovem Poeta é um livro de conselhos. Na minha opinião, indispensável, principalmente a todos os aspirantes às artes em geral. Fazendo uma breve comparação: Cartas a um Jovem Poeta é tal qual O Pequeno Príncipe. A cada lida, em cada momento/perspectiva da vida, lhe é diferente.

Que interessante, escrevendo este post descobri que esteve em cartaz a peça sobre o livro, em São Bernardo do Campo – SP.
http://cartasaumjovempoeta.com.br/

Por Deborah Meira

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Já cantava Belchior “a felicidade é uma arma quente”

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