Livro: O Morro dos Ventos Uivantes (Wuthering Heights), de Emily Brontë.

Apesar de eu nunca ter encontrado em pesquisas (também não procurei muito) O Morro dos Ventos Uivantes, lançado em 1848, certamente faz parte da literatura realista. Não há como negar, tanto pela época quanto pelo estilo de escrita. Os conflitos psicológicos, romances depreciativos e o alto teor dramático na história, me fazer crer nisso. Eu o adoro, já li duas vezes. Mas admito que o fiz num intervalo longo de tempo, pois, o livro consome nossa agonia, dá aquela vontade de não parar de ler. Cria-se uma curiosidade de saber o que vai acontecer e aquilo vai indo… mas, cansa! Cansa porque ele exaure de você uma compreensão relacionada aos personagens, à narrativa. Pede um forte senso crítico e análises precisam ser feitas. A autora não se compromete, ela introduz personagens com pontos de vista diferentes sobre um único personagem, por exemplo. Longe de ser clichê, O Morro dos Ventos Uivantes possui vários começos, meios e finais felizes e infelizes. É uma montanha russa mesmo. Para quem gosta desse tipo de leitura (como eu) é maravilhoso. O egoísmo é a chave de segurança do único livro escrito por Emily Brontë. Muito bem escrito, por sinal.

Andei lendo sobre a análise Freudiana acerca da trama, mas não aconselharia a ver quaisquer assuntos relacionados ao livros antes de lê-lo. Perderia toda a graça.

O filme: Houveram algumas adaptações da história, mas eu só vi um filme e não por inteiro. Tenho quase certeza (faz muito tempo) que foi a adaptação com Ralph Fiennes e Juliette Binoch como protagonistas. Posso dizer que não é aconselhável, caso você queira entender a história contada por Emily Brontë. Lembro que o filme era bom, mas mudava algumas das trajetórias vividas pelos personagens principais. Além do que, é muito melhor ter Cathy e, principalmente, Heathcliff, personagens tão complexos fisicamente e moralmente, construídos pela interpretação da leitura. Vale ressaltar que as sinopses na internet contém spoilers.

Comparação: podemos comparar o Morro dos Ventos Uivantes com o romance realista de Eça de Queiroz, Os Maias. Ambos apresentam conflitos psicológicos e morais, a questão de manter as aparências e as influências dos padrões da época são aspectos fortes nos personagens. Ambos não possuem fim na mesma geração que o inicia, sendo assim uma continuação, sem perder o fio da meada. É admirável.

A edição: a primeira vez que li, foi numa edição muito antiga, com folhas amareladas, numa capa de couro normal, sem muito requinte, mas não sei dizer qual. Da segunda vez, o vi na sessão de livros de bolso que a própria livraria Saraiva tem feito. Foi baratíssimo. Inclusive recomendo os livros da Coleção Saraiva de bolso. Já comprei 3, olhaí!

Por Deborah Meira

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