de Marjane Satrapi: as HQs autobiográficas “Persépolis” e “Bordados”.

Persépolis

Tudo começa pouco antes da Revolução Iraniana, marcando a vida de Marjane com muitas repressões devido ao regime do xá. Romances,  situações bizarramente engraçadas, atreladas ao temor relacionado a guerra e a morte. Essa uma diversidade de temas e discussões dentro do mesmo contexto, que é a vida de Marjane Satrapi, mais precisamente durante as décadas de 70 e 80, dá esse Q de originalidade aos quadrinhos. É uma linda e tragicômica história muito bem contada e representada. O traço é belíssimo e super diferente. Tudo preto/branco/vazio/preenchido – o que me lembrou muito as técnicas usadas em trabalhos com xilogravura.

HQ e Filme: As histórias foram publicadas separadamente entre os anos 2000-2003. Ainda se encontram a venda, e além das edições (Persépolis 1,2,3 e 4) existe a coletânea em um livro só. Muitos ouviram falar de Persépolis porque o filme ficou bem famoso e concorreu ao Oscar. Entretanto, aconselharia a ler primeiro e não olhar nem o trailer do filme. Não sendo assim, é provável que parte da graça e da surpresa que Persépolis oferece, se perca por aí. Parece clichê, mas a verdade é, nesse caso, a ordem dos fatores faz diferença sim (mesmo que a história seja muito bem representada no cinema – até os traços ilustrativos são os mesmos).
É que, pelo menos pra mim, a graça de ler uma HQ está na sua interpretação de movimentos, da voz, dentre outras coisas que o filme não permite que você o faça. Mas não há o que desmerecer, Persépolis é, de fato, um livro e filme de qualidades inquestionáveis.

Bordados

Bastante feminino. Um cara chato provavelmente se sentiria desconfortável lendo. Bordados não é uma continuação de Persépolis, mas se você não leu o primeiro, este provavelmente não vai ter muita graça. Bordados se passa numa conversa entre várias mulheres na vida de Marjane, durante a confecção de seus bordados. É curtinho, bem humorado e de uma criatividade sem tamanho. Não sei dizer se a conversa realmente aconteceu, mas ela é no mínimo, baseada naquelas personagens. Enfim, eu adorei.

Por Deborah Meira

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